Boa parte das academias que enfrentam dificuldade financeira hoje não têm um problema de atração. Elas vendem, recebem visitas, atraem leads. Mas mesmo assim, continuam patinando.
A real ameaça, em muitos casos, está na evasão silenciosa de alunos. Aqueles que chegam, permanecem pouco tempo e saem sem deixar rastro — ou feedback.
O desafio da retenção é um dos mais críticos do mercado fitness, mas ainda é subestimado por muitos gestores. Investir em vendas novas não compensa o custo de perder continuamente alunos da base.
E o mais grave: sem controle sobre isso, não existe previsibilidade, escala ou sustentabilidade.
Neste artigo, vamos abordar por que a retenção é tão estratégica, quais os principais fatores que causam a evasão e, principalmente, o que pode ser feito — de forma prática — para melhorar esse cenário. Aqui está o que você vai encontrar:
Se você é gestor ou gestora de academia, estúdio ou box, este conteúdo vai te ajudar a sair do modo reativo e avançar rumo a uma operação mais sólida, previsível e centrada no aluno.
A taxa de evasão (ou churn) em academias brasileiras pode chegar a 30% ao ano, segundo levantamento da IHRSA. Isso significa que, em média, 1 a cada 3 alunos cancela o plano no período de 12 meses. Em algumas operações com baixa maturidade de gestão, esse número é ainda maior.
O problema vai além da perda de receita. Quando o aluno sai, todo o investimento feito para atraí-lo — marketing, comissão, tempo de onboarding — vira custo afundado. E a pressão sobre a equipe comercial aumenta, já que será necessário buscar novas matrículas apenas para manter o mesmo faturamento.
Um estudo publicado pela Harvard Business Review mostra que aumentar em 5% a retenção de clientes pode gerar entre 25% e 95% a mais de lucro. No mercado fitness, onde o ticket médio é relativamente baixo e o custo de aquisição (CAC) está cada vez mais alto, essa lógica é ainda mais evidente.
Portanto, a pergunta correta para quem busca crescimento não é apenas "quantos alunos eu posso atrair?", mas sim:
“Quantos alunos consigo manter satisfeitos por mais tempo?”
A falta de acompanhamento é uma das maiores causas de evasão — e também uma das mais fáceis de corrigir. Em academias que operam sem processos definidos, é comum que o aluno só receba atenção no momento da matrícula ou quando atrasa o pagamento. Nos demais momentos da jornada, sente-se ignorado.
Um bom acompanhamento envolve ações simples, mas consistentes:
O uso de tecnologia pode ajudar nesse processo, mas o mais importante é a cultura de atenção contínua. Como já mostram pesquisas de customer success, clientes que se sentem acompanhados têm até 3x mais chance de se manter ativos.
O aluno não desiste do treino do dia para a noite. Ele vai dando sinais. Cabe à academia detectar esses sinais e agir antes que o cancelamento ocorra.
Muitas academias ainda tomam decisões no escuro. Não sabem quanto tempo os alunos permanecem ativos, não monitoram a frequência real e não têm alertas sobre comportamentos de risco.
A gestão orientada por dados é um divisor de águas para qualquer operação que queira melhorar a retenção. Os principais indicadores que merecem atenção:
Com esses dados em mãos, é possível:
Segundo o ACSM (American College of Sports Medicine), 70% dos alunos que param de frequentar nas primeiras 8 semanas estão em academias que não oferecem nenhum tipo de monitoramento individual.
Ou seja: a retenção começa pelo diagnóstico — e o diagnóstico começa pelos dados.
A comunicação com o aluno precisa ser constante, relevante e adaptada ao seu perfil. O erro mais comum é tratar todos da base da mesma forma, com mensagens genéricas ou promoções sem contexto.
A comunicação segmentada permite criar experiências mais personalizadas e, consequentemente, mais engajadoras. Exemplos práticos:
Academias que mantêm uma cadência de comunicação bem estruturada aumentam em até 28% a taxa de permanência nos primeiros 90 dias, segundo pesquisa da IDEA Health & Fitness Association.
O segredo está em construir relacionamento, e não apenas envio de informações.
Em mercados competitivos, onde preço e localização são parecidos, o que realmente fideliza é a experiência. E isso não depende de estrutura luxuosa, mas de atenção aos detalhes.
O que faz um aluno se manter é:
A experiência envolve desde a recepção até o último clique no app. E cada ponto de contato pode ser um fator de encantamento — ou de frustração.
De acordo com a McKinsey, clientes que têm boas experiências com uma marca têm 140% mais chance de permanecer do que aqueles com experiências neutras ou ruins.
No universo fitness, a experiência é o “serviço invisível” que mantém o aluno motivado, mesmo nos dias em que falta vontade.
Programas de engajamento são ferramentas poderosas para manter o aluno motivado e conectado com a academia. Eles transformam a rotina em desafio, a evolução em conquista e o espaço em comunidade.
Algumas práticas efetivas:
O engajamento não precisa ser complexo. Precisa ser coerente com a cultura da academia e com o perfil dos alunos. E precisa ser consistente.
Gestores que conseguem transformar alunos em protagonistas da própria jornada constroem comunidades. E comunidades têm muito mais poder de retenção do que campanhas pontuais.
Melhorar a retenção de alunos é possível — e mais acessível do que parece. Não depende apenas de tecnologia, marketing ou investimento. Depende, antes de tudo, de clareza, consistência e cultura de gestão.
Academias que desenvolvem maturidade operacional, monitoram seus indicadores e colocam o aluno no centro da jornada colhem os frutos: previsibilidade, rentabilidade e crescimento sustentável.
A venda traz o aluno. A gestão faz ele ficar. O segredo é criar uma estratégia de retenção com a mesma atenção que você dá às vendas!
Concorda com a gente?