Gestão e Estratégia

A evolução das academias: da ficha de papel à era da inteligência artificial

Você não precisa virar uma empresa de tecnologia. Mas precisa deixar que a tecnologia trabalhe a seu favor.

Randall Neto

Por Randall Neto
Copywriter e Produtor de conteúdo. Tiro ideias do papel e transformo histórias em conexão!

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Como a gestão fitness acompanhou (ou não) as mudanças no comportamento do consumidor, na tecnologia e no mercado 

“Eu prefiro a ficha de papel, sempre funcionou aqui.” 

Se você é gestor de academia, é bem provável que já tenha dito ou ouvido isso. 

E está tudo bem - é natural se apegar ao que parece simples e familiar. Afinal, a fichinha sempre foi mais do que um papel: ela representava controle, método e, de certa forma, até o vínculo com o aluno. 

Mas o mercado não é mais o mesmo. Nem o consumidor. Nem o concorrente. Nem o tempo que você tem para fazer tudo o que precisa para ter resultados. 

A gestão de academias passou por uma transformação silenciosa e profunda nas últimas décadas. E quem não acompanhou, acabou ficando preso a um modelo que já não responde aos desafios de hoje: alta competitividade, alunos exigentes, margens apertadas e decisões cada vez mais complexas. 

Este conteúdo é um convite à reflexão - sem romantizar o passado, mas também sem desumanizar o futuro. 

O que você vai encontrar neste artigo: 

  • Uma linha do tempo com as principais fases da gestão fitness 
  • Como o comportamento do consumidor influenciou essa transformação 
  • Por que resistir à tecnologia pode estar afastando seus clientes 
  • O impacto da inteligência artificial na operação das academias 
  • Uma análise sobre o discurso “prefiro a ficha de papel” — e o que está por trás dele 
  • Um convite à mudança, sem culpa, mas com consciência 

 

Da papelada ao painel de indicadores: como a gestão fitness evoluiu 

Se olharmos para trás, veremos que a gestão de academias sempre foi reflexo do seu tempo. Ela evoluiu conforme as ferramentas disponíveis, mas também conforme as expectativas dos alunos e a maturidade dos gestores. 

Vamos percorrer essa jornada. 

Anos 80 e 90: controle físico, presença constante e tudo no papel 

Nessa época, a gestão era feita com caderno, telefone fixo e presença no balcão. A “ficha de treino” era literalmente uma folha impressa, guardada em pastas ou gavetas. 

Os pagamentos eram anotados no livro-caixa, e a comunicação com o aluno acontecia pessoalmente ou por telefone. 

Não havia CRM, nem automação. Tudo dependia da memória da equipe e da relação pessoal com o aluno. 

Funcionava? Em certa medida, sim.  

Mas também era um modelo com muitos riscos: perda de dados, falta de rastreabilidade, decisões no “achismo” e nenhuma visibilidade estratégica. 

Anos 2000: a digitalização começa 

Com a popularização dos computadores e dos primeiros sistemas de gestão, surgem os cadastros digitais, controle de acesso por catracas eletrônicas e planilhas mais organizadas. 

A operação começa a se digitalizar, mas ainda de forma tímida. 

O foco está mais no controle do que na análise. Os softwares eram locais (instalados nas máquinas), sem integração com outras ferramentas ou visão em tempo real. 

Mesmo assim, era um avanço. Pela primeira vez, o gestor tinha acesso rápido a informações financeiras, controle de matrículas e agendas. 

Anos 2010: o aluno se digitaliza - e exige mais 

O grande ponto de virada não foi tecnológico, mas comportamental. 

Com a explosão dos smartphones e redes sociais, os consumidores passam a esperar mais praticidade, personalização e autonomia. 

Aplicativos de mobilidade, streaming, bancos digitais… tudo ficou mais fácil, mais ágil e mais centrado no usuário. 

E o aluno da academia levou essa expectativa para o seu ambiente fitness. 

A academia, que antes era apenas um espaço físico de treino, passa a ser cobrada como uma marca, uma experiência. O marketing se digitaliza, os funis de venda se sofisticam, e a retenção vira prioridade. 

É aqui que muitos gestores percebem: a gestão não pode mais ser só operacional. Ela precisa ser estratégica. 

2020 em diante: dados, automação e inteligência artificial 

Com a aceleração provocada pela pandemia, o digital deixou de ser diferencial e passou a ser necessidade. 

Sistemas na nuvem, automação de tarefas, atendimento por chatbot, plataformas de CRM, relatórios inteligentes, integrações com apps de treino, cobrança automatizada… a gestão fitness entra de vez na era da inteligência. 

Hoje, já é possível: 

  • Antecipar evasões com base em comportamento do aluno 
  • Automatizar mensagens de boas-vindas, cobranças e reativações 
  • Integrar dados de vendas, marketing e atendimento em um único painel 
  • Acompanhar métricas de performance em tempo real 
  • Personalizar o atendimento com base em dados de uso e preferências 

É uma nova forma de gerir — com muito mais controle, previsibilidade e foco no cliente. 

“Mas eu gosto da fichinha…” - um contraponto necessário 

Esse argumento é comum. E compreensível. 

Muitos gestores associam o uso da ficha de papel à proximidade com o aluno, ao toque humano, à ideia de um atendimento mais personalizado. 

Mas precisamos ser honestos: 

Quantos alunos realmente preferem esse modelo? E mais - será que eles estão sendo ouvidos ou estamos escutando apenas uma minoria barulhenta? 

A verdade é que a resistência à tecnologia muitas vezes vem de uma insegurança legítima: medo do novo, da complexidade, de perder o controle. 

Só que, ironicamente, é justamente a tecnologia que pode devolver o controle ao gestor. 

Não se trata de robotizar o atendimento ou substituir pessoas por máquinas.  

Mas sim de eliminar tarefas repetitivas, reduzir erros e abrir espaço para o que realmente importa: o relacionamento com o cliente, a criatividade na entrega e a estratégia de crescimento.  

Tecnologia não muda a essência da sua academia. Ela potencializa. 

O papel da tecnologia não é transformar a alma do seu negócio. 

É otimizar os bastidores, automatizar o que for possível e deixar mais tempo livre para você atuar onde realmente faz diferença. 

Uma gestão moderna não elimina o toque humano. Ela o valoriza, porque permite que ele aconteça de forma mais intencional e menos atropelada. 

Quantas vezes você já quis dar atenção a um aluno, mas teve que parar para resolver um boleto? 

Quantas boas ideias ficaram no papel porque o dia a dia te engoliu? 

Quantas oportunidades foram perdidas por falta de dados ou por decisões tomadas na pressa? 

Modernizar não é sobre abandonar sua essência. É sobre criar as condições para que ela floresça. 

E você, gestor — em que fase está? 

A ficha de papel faz parte da história de muitas academias. Mas ela não precisa fazer parte do futuro. 

Se a sua gestão ainda depende de planilhas, processos manuais e decisões intuitivas, talvez seja hora de repensar. 

Você não precisa virar uma empresa de tecnologia. Mas precisa deixar que a tecnologia trabalhe a seu favor. 

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